Edição especial de cripto: o Bitcoin recua abaixo de US$ 64,2 mil na manhã de aversão a risco, pressionado por US$ 425 milhões de saída nos ETFs à vista na segunda, o maior resgate de julho, e por um salto nos saques da Binance. Ao mesmo tempo, o lado estrutural anda para frente: Trump recebe senadores para destravar a lei de estrutura de mercado, a Revolut ganha sinal verde em Dubai e a Tether investe na América Latina. No pano de fundo, um contraponto: as baleias on-chain seguem acumulando. Os termômetros mostram Bitcoin, Ether e o fluxo dos ETFs.
O preço escorrega na manhã de aversão a risco, empurrado por dois fluxos que voltaram ao mesmo tempo: a saída dos ETFs à vista nos EUA e o salto nos saques da maior corretora do mundo.
Os ETFs de Bitcoin à vista dos EUA registraram US$ 424,66 milhões em saídas líquidas na segunda-feira, o maior resgate em um único dia em julho, segundo a SoSoValue. O movimento desfez os US$ 197,4 milhões de entradas da semana passada, que tinham interrompido uma sequência de oito semanas de saques. No ano, esses fundos já acumulam cerca de US$ 5,8 bilhões em saídas líquidas, depois de um junho recorde de resgates. O contraponto: parte dos dados on-chain mostra grandes carteiras ainda acumulando, um cabo de guerra entre o fluxo dos ETFs e as baleias.
A Binance registrou US$ 1,23 bilhão em saída líquida na semana iniciada em 29 de junho, um salto de cerca de 207% ante os aproximadamente US$ 400 milhões da semana anterior, com o mês somando por volta de US$ 3,2 bilhões, segundo a CryptoQuant. As transações de saque de Ether chegaram ao maior nível em mais de 3 anos, com mais de 166 mil em um único dia, aponta o analista Darkfost. Saída de corretora costuma indicar moeda indo para a autocustódia, mas o volume e a incerteza regulatória reforçam o humor cauteloso da manhã.
₿ Bitcoin e Ether hoje
Enquanto o preço cede, o lado estrutural anda para frente: a regra do mercado cripto ganha atenção na Casa Branca e os grandes nomes seguem se posicionando, de Dubai à América Latina.
Segundo a Politico, o presidente Donald Trump recebe senadores na Casa Branca nesta quinta-feira para discutir o avanço do CLARITY Act, o projeto que define as regras de estrutura de mercado para as criptomoedas nos EUA. Os senadores Bernie Moreno e Cynthia Lummis estão entre os presentes, numa corrida para aprovar o texto antes do recesso de agosto do Senado. É o tipo de clareza regulatória que o setor pede há anos, mas ainda depende de negociação, sem data fechada de votação.
O governo dos EUA transferiu US$ 297 milhões em cripto apreendida para a Coinbase Prime na segunda-feira: 3.940 BTC (cerca de US$ 243,95 milhões) e 30.014 ETH (cerca de US$ 53,09 milhões), segundo dados on-chain. Os ativos vêm de apreensões antigas, ligadas a casos como o de Ryan Farace, a extinta corretora BTC-e e um esquema de US$ 54 milhões. O depósito renovou a especulação sobre uma possível venda e reacendeu perguntas sobre a promessa de uma reserva estratégica de Bitcoin, embora enviar para uma corretora não confirme venda.
⚖️ O placar institucional do dia
No Brasil, a cripto aparece por dois ângulos bem nacionais: o Rio vira palco do debate sobre a nova infraestrutura financeira da região e o Pix ganha uma ponte direta para as stablecoins.
Em sua 5ª edição, o Blockchain.RIO 2026 anunciou 13 trilhas de conteúdo para o evento principal, nos dias 12 e 13 de agosto, no ExpoRio. A programação foi desenhada para discutir os temas que redesenham as finanças digitais na América Latina: tokenização, stablecoins, pagamentos globais, regulação, infraestrutura bancária, ativos digitais institucionais e inteligência artificial, além da conexão entre academia e indústria. É um sinal de que o Brasil quer ser hub regional do assunto, do Pix às stablecoins.
A Bitget Wallet fechou parceria com a empresa de pagamentos alfred para converter moeda local em stablecoins por transferência bancária. No Brasil, dá para enviar reais pelo Pix e receber USDT ou USDC direto na carteira de autocustódia, sem cartão, sem negociar com outra pessoa e sem abrir conta em corretora. Na adoção esportiva, Flamengo e Fluminense renovaram a parceria com a Chiliz, dona dos Fan Tokens da Socios.com que os clubes usam desde 2021, com novos colecionáveis digitais e ações gamificadas para a torcida.
🇧🇷 Os números por trás das duas notícias
Hoje o foco é cripto, mas o resto do mercado não parou. Em duas pinceladas: os chips perdem fôlego em Nova York e o Brasil segue a cautela com um pregão dividido por dentro.
A TSMC bateu as estimativas e elevou a projeção de gastos, mas os recibos em Nova York caíram cerca de 5% e os semicondutores recuaram pelo mundo, um clássico "comprou no boato, vendeu no fato". Com os futuros do Nasdaq em -0,7%, o dinheiro girou para os retardatários: UnitedHealth e GE subiram após elevar projeções, a Uber anunciou a compra da Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões e a Alphabet liderou as Magníficas. Hoje ainda saem as vendas no varejo e o balanço da Netflix.
O Brasil acompanha a cautela lá fora: o Ibovespa recua cerca de 0,4%, aos 176.011 pontos, e o dólar fica de lado, perto de R$ 5,08. Por dentro, o pregão se divide: a Vale sobe cerca de 0,7% com o minério e a B3 salta mais de 2%, entre os destaques do dia, enquanto os bancos pesam, com o Itaú em cerca de -1,1%. No pano de fundo, a Selic em 14,25% segue uma das mais altas do mundo e continua a ancorar o câmbio.
🌎 O placar rápido · EUA e Brasil
Minha leitura de sentimento pessoal, em primeira pessoa. Cada um estuda e gerencia o próprio risco.
Para mim, o dia da cripto tem dois relógios andando em ritmos diferentes. No curto prazo, a volta das saídas nos ETFs (US$ 425 milhões) somada ao salto nos saques da Binance me deixa com o pé no chão: quando o dinheiro sai ao mesmo tempo do ETF e da corretora, eu respeito o "arame farpado" e não corro atrás. No longo prazo, porém, a corrida pela regulação nos EUA e o avanço institucional (Revolut em Dubai, Tether na América Latina) me deixam mais construtivo. São dois lados que eu tento não misturar.
No curtíssimo prazo eu fico atento: a volta das saídas nos ETFs e o salto nos saques da Binance pesam, e o BTC escorregando abaixo de US$ 64,2 mil confirma o humor cauteloso. Gosto de ver as baleias seguindo acumulando on-chain, um contraponto importante, mas eu quero que o fluxo dos ETFs vire e o preço segure a faixa antes de ficar mais animado.
Olhando para frente, eu gosto do que vejo: a corrida pelo CLARITY Act pode dar a clareza regulatória que o setor pede há anos, e o avanço institucional (Revolut em Dubai, Tether na América Latina) mostra dinheiro grande se posicionando. Isso não é preço de amanhã, é tese de longo prazo. Por isso a minha postura muda conforme o horizonte.
Nas ações, o dia mostrou o que eu venho respeitando: a TSMC entregou um balanço forte e mesmo assim caiu, o clássico "comprou no boato, vendeu no fato". A rotação para os retardatários pode ser saudável, mas eu não corro atrás do setor da vez só porque subiu. No Brasil, com a Selic em 14,25%, sigo preferindo cautela e gestão de risco.
Na minha leitura, o mês oferece poucas janelas. Vejo espaço para duas coisas: comprar pensando no longo prazo, com calma, ou operações muito curtas (2 a 3 dias de exposição), para quem gosta de emoção. O que evito é o meio-termo dentro do "arame farpado". É a minha leitura pessoal, e cada pessoa é responsável pelas próprias decisões.
A parte mais divertida da live é o papo aberto com você. Manda a sua dúvida sobre o mercado que eu respondo aqui, ao vivo e sem juridiquês.
Pode perguntar sobre ações, cripto, dólar, juros ou o cenário do dia. E se tiver uma sugestão de tema para as próximas lives, manda também: o Papo de Bar é construído com você.
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16 · 07 · 2026 · Augusto Backes & Sala Secreta Podcast
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